DIÁLOGO DE UM FIEL COM SEU TELEVISOR

O dia 11 de agosto é o dia da Televisão. Quero aqui estabelecer um diálogo com esta amiga que a “todo mundo” já cativou. É impossível não reconhecer isso!
Meu caro televisor, pelo menos uma vez, você será obrigado a me ouvir. É sempre você quem fala, quem me faz ficar olhando para você, quem faz ficar quieto, quem me impede de ficar conversando entre nós, em casa. Quando estou sentado na poltrona diante de você, sinto-me um pouco intimidado, mando até as pessoas, que atrapalham a minha audição, calarem a boca. Mas, desta vez, quero tomar a iniciativa; desligo você e você me ouve. Fazia tanto tempo que eu sentia este desejo de lhe dizer algo, de me entender com você. Porque você é importante para mim, você se tornou parte de minha vida; não quero se quer confessar isso, mas se você está ausente, falta-me algo. Existe em você uma força quase divina! Você não é apenas um dos tantos eletrodomésticos de que a casa está cheia, um utensílio de que me sirvo ou, pior, um perigoso meio de deseducação. Posso tentar dialogar com você e você deve me ouvir.
Sabe, costuma-se dizer que você fala demais. Um relatório apresentado pela UNESCO revela que o tempo médio que uma pessoa adulta passa diante de você, nos Estados Unidos, supera, cotidianamente, cinco horas; e que crianças chegam às sete horas. Em nosso país, parece que quase a metade dos jovens permanecem diante do vídeo por mais de quatro horas durante o dia, e os demais entre duas e quatro horas.
Eu gostaria de estabelecer com você uma relação equilibrada. Não gostaria nem de trancá-lo à chave em um armário, e tampouco de ser “teledependente”; não gostaria de manter com você uma relação de costume, como pode acontecer em relação ao cigarro, ao jogo, ao álcool, mas também não gostaria de ignorá-lo. Existem famílias que possuem dois ou três aparelhos de televisão: um na cozinha, um na sala, outro no quarto, quem sabe até um em cada quarto de dormir...
Até a Igreja demonstrou crescente atenção para com você, chegando a dizer que “a televisão é uma versão moderna e eficaz do púlpito e que graças a ela se consegue falar a multidões” (EN 45).
Gostaria de poder assumir, diante de você, o estilo evangélico que exige que saiba ver nos sulcos do mundo, e, portanto, também em você, amiga televisão, o germinar do trigo que é bom e juntamente da erva daninha. Mas, por favor, forme mais e deforme menos aqueles e aquelas que, são teus amigos.
Pe. Omar Aparecido de Siqueira
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